Dando continuação ao tema "Pais" iniciado no ultimo texto "Desabafo 2" venho aqui transcrever mais algumas considerações do treinador Francisco Mendes:
O tema Pais é um assunto recorrente. Já aqui teci alguns considerandos sobre o que os pais não devem fazer para ajudarem os filhos que praticam desporto, bem como o podem e devem fazer para os ajudar.
No último texto (desabafo2) relatei uma situação que demonstra a “falta de cuidado” de alguns pais para com a actividade desportiva dos seus filhos.
Como facilmente constatamos existem pais de todo o tipo. Uns mais interessados que outros, uns mais disponíveis outros nem tanto. Outros há que se acham “donos” e senhores do que deve ser o treino do seu filho... enfim, há uma panóplia sem fim de perfis.
No manual “A comunicação do treinador com os pais dos atletas” de Frank Smoll, com tradução de Jorge Adelino e edição do CEFD são caracterizados cinco (5) tipos de pais, tendo em conta a sua forma de estar perante o treino dos seus filhos. Vejamos cada um destes tipos:
Pais desinteressados
Características principais - aquilo que distingue este tipo de pais é a sua ausência permanente das actividades desportivas dos seus filhos.
Pais supercríticos
Características principais – estão sempre a censurar e a ralhar com o filho, parecendo nunca estar satisfeitos com o comportamento desportivo do jovem. Dão a impressão que é mais “o seu jogo”, “a sua prova” ou “o seu treino” do que o do filho.
Pais que gritam durante as competições
Características principais – trata-se de um tipo de pais com grandes pulmões e com cordas vocais de aço!! Este pai ou esta mãe senta-se (quando não fica de pé…) mesmo por detrás dos membros da equipa ou do grupo, grita colérico e enraivecido contra tudo e contra todos, não deixando que se oiça mais ninguém naquela zona, incluindo o treinador.
Pais “treinadores de bancada”
Características principais – é muito frequente encontrar este tipo de pais junto ao "banco", na bancada ou à volta do local da prova, "dando instruções" aos praticantes. Este comportamento pode contrariar as indicações dadas pelo próprio treinador e perturbar o funcionamento do grupo.
Pais superprotectores
Características principais - É muito habitual encontrar esta situação na mãe do jovem. È frequente ouvi-la ameaçar que vai retirar o filho do desporto pelos perigos que ele envolve.
Nos próximos textos irei dar algumas dicas da forma como nós
treinadores devemos lidar com cada um destes tipos de pais.
Trabalho da autoria de:
FRANCISCO MENDES
Licenciado em Educação Física Treinador Hóquei em Patins (Nível 2)
Patinado-Hoquei em Patins
Com este blog pretende-se dar a conhecer um pouco do espirito que irá rodear a equipa de Infantis na proxima temporada.
Procuraremos informar e incentivar tanto os jogadores como o publico que nos ira acompanhar.
Este Blog é informativo, elaborado por simpatizantes do H.C. Sintra, e não reflecte as posições oficiais do Clube ou dos seus dirigentes.
A Administração do blog reserva-se o direito de analisar e autorizar, ou não, a publicação de todos os comentários excluindo todos aqueles que não respeitem os parametros defenidos para o presente.
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Desabafo: O atraso do "João"...
NOTA:Este texto foi cópiado na integra por respeito ao seu autor assim sendo é normal verificar que o seu contiudo é direccionado para treinadores não deixando no entanto de ter interesse para os Pais dos atletas.
Há situações que nos deixam sem saber o que pensar...são incríveis.
Por vezes, nós treinadores deparamo-nos com situações a que nem sempre sabemos como agir ou reagir. Umas mais complicadas que outras, é um facto. Lidamos melhor que outros com determinadas situações, que não lhe atribuem a mesma importância, enfim “todos diferentes, todos iguais”, como alguém uma vez disse.
Todavia, há situações que demonstram tal falta de cuidado, outras que são tão insensatas que caem no ridículo e levam-me a pensar que assim não vale a pena... ser treinador. Há coisas que realmente não se compreendem.
Quando lidamos com jovens, a escala desta incompreensão é ampliada, dada a incerteza e a irreverência da idade. Contudo, mais incerta e complicada e, até mesmo, mais triste se torna, quando por detrás destes jovens estão pais mais inconscientes que os filhos. Quando assim acontece, a situação torna-se insuportável e “a tampa acaba por saltar”...
Bem mas quando situações destas acontecem, para aliviar-mos um pouco, partilhamo-las com os colegas, ou como neste caso, escrevo-a aqui.
Vejamos uma “estória” que me deixou sem saber o que fazer:
O João (nome fictício) tinha 13 anos de idade, era Iniciado e queria ser “jogador de hóquei em patins”. Com todas as virtudes e defeitos dos jovens desta faixa etária, também o João se ia “desenrascando” e dando ares de evolução nas actividades propostas, umas vezes com mais empenho, outras com menos vontade de fazer força. Até aqui nada demais.
Havia algum tempo que o João não entrava de início no jogo, mas dado que nos últimos treinos tinha demonstrado mais vontade e empenho nas situações propostas, iria, nesse fim-de-semana, ser titular para assim ver a sua dedicação de alguma forma recompensada.
Nesse fim-de-semana o jogo realizar-se-ia a um Domingo, às três da tarde e o seu treinador marcou a concentração para o jogo às duas da tarde. Uma hora antes é um intervalo de tempo suficiente para a equipa se preparar e aquecer para o jogo.
Qual o meu espanto, quando às duas da tarde estão todos os atletas a equipar-se menos o João. Falo com este, com aquele, e ninguém sabe nada do miúdo. Atrasou-se, penso. “Vá! Vamos lá a equipar porque o João deve estar mesmo aí a aparecer” digo ao restante “plantel”.
Telefone na mão, vai de entrar em contacto com alguém que me possa dar uma resposta. Nada, não é possível contactar ninguém. Bom, continuemos com os que estão, decido.
O tempo vai passando até que são duas e meia e começo o aquecimento, passado um pouco entra pelo pavilhão o João a correr com o saco às costas e o stick na outra mão. Oriento os jogadores que estão no aquecimento e vou ter com o miúdo atrasado para saber das novidades.
Pergunto-lhe a razão do seu atraso, ao que responde que a mãe havia feito o almoço para as duas horas.
Indignado, pergunto-lhe se a mãe não sabia as horas do jogo. Na verdade, a mãe, apesar de saber que o seu filho tinha jogo às 3 da tarde, não deixou de preparar a refeição ao João com a antecedência correcta.
Calo-me e saio do balneário esperando que a digestão do João não interfira com as actividades que os pais tiveram de fazer no Domingo de manhã, porque com a sua entrada no jogo já interferira com toda a certeza.
Final da “estória”:
O João mal aqueceu antes do jogo, e somente no intervalo “andou” mais rápido para depois jogar na segunda parte.
Quanto aos pais, nem uma palavra deram ao treinador...também não vieram ver o jogo, porque se tivessem vindo, o treinador, provavelmente, teria que os fazer ver implicações da sua atitude.
Moral da “estória”:
Os pais, ai os pais....
Trabalho da autoria de:
FRANCISCO MENDES
Licenciado em Educação Física Treinador Hóquei em Patins (Nível 2)
Patinado-Hoquei em Patins
Há situações que nos deixam sem saber o que pensar...são incríveis.
Por vezes, nós treinadores deparamo-nos com situações a que nem sempre sabemos como agir ou reagir. Umas mais complicadas que outras, é um facto. Lidamos melhor que outros com determinadas situações, que não lhe atribuem a mesma importância, enfim “todos diferentes, todos iguais”, como alguém uma vez disse.
Todavia, há situações que demonstram tal falta de cuidado, outras que são tão insensatas que caem no ridículo e levam-me a pensar que assim não vale a pena... ser treinador. Há coisas que realmente não se compreendem.
Quando lidamos com jovens, a escala desta incompreensão é ampliada, dada a incerteza e a irreverência da idade. Contudo, mais incerta e complicada e, até mesmo, mais triste se torna, quando por detrás destes jovens estão pais mais inconscientes que os filhos. Quando assim acontece, a situação torna-se insuportável e “a tampa acaba por saltar”...
Bem mas quando situações destas acontecem, para aliviar-mos um pouco, partilhamo-las com os colegas, ou como neste caso, escrevo-a aqui.
Vejamos uma “estória” que me deixou sem saber o que fazer:
O João (nome fictício) tinha 13 anos de idade, era Iniciado e queria ser “jogador de hóquei em patins”. Com todas as virtudes e defeitos dos jovens desta faixa etária, também o João se ia “desenrascando” e dando ares de evolução nas actividades propostas, umas vezes com mais empenho, outras com menos vontade de fazer força. Até aqui nada demais.
Havia algum tempo que o João não entrava de início no jogo, mas dado que nos últimos treinos tinha demonstrado mais vontade e empenho nas situações propostas, iria, nesse fim-de-semana, ser titular para assim ver a sua dedicação de alguma forma recompensada.
Nesse fim-de-semana o jogo realizar-se-ia a um Domingo, às três da tarde e o seu treinador marcou a concentração para o jogo às duas da tarde. Uma hora antes é um intervalo de tempo suficiente para a equipa se preparar e aquecer para o jogo.
Qual o meu espanto, quando às duas da tarde estão todos os atletas a equipar-se menos o João. Falo com este, com aquele, e ninguém sabe nada do miúdo. Atrasou-se, penso. “Vá! Vamos lá a equipar porque o João deve estar mesmo aí a aparecer” digo ao restante “plantel”.
Telefone na mão, vai de entrar em contacto com alguém que me possa dar uma resposta. Nada, não é possível contactar ninguém. Bom, continuemos com os que estão, decido.
O tempo vai passando até que são duas e meia e começo o aquecimento, passado um pouco entra pelo pavilhão o João a correr com o saco às costas e o stick na outra mão. Oriento os jogadores que estão no aquecimento e vou ter com o miúdo atrasado para saber das novidades.
Pergunto-lhe a razão do seu atraso, ao que responde que a mãe havia feito o almoço para as duas horas.
Indignado, pergunto-lhe se a mãe não sabia as horas do jogo. Na verdade, a mãe, apesar de saber que o seu filho tinha jogo às 3 da tarde, não deixou de preparar a refeição ao João com a antecedência correcta.
Calo-me e saio do balneário esperando que a digestão do João não interfira com as actividades que os pais tiveram de fazer no Domingo de manhã, porque com a sua entrada no jogo já interferira com toda a certeza.
Final da “estória”:
O João mal aqueceu antes do jogo, e somente no intervalo “andou” mais rápido para depois jogar na segunda parte.
Quanto aos pais, nem uma palavra deram ao treinador...também não vieram ver o jogo, porque se tivessem vindo, o treinador, provavelmente, teria que os fazer ver implicações da sua atitude.
Moral da “estória”:
Os pais, ai os pais....
Trabalho da autoria de:
FRANCISCO MENDES
Licenciado em Educação Física Treinador Hóquei em Patins (Nível 2)
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